
Foto e Texto: Alan Blair
Têm um bico de chaleira enfiado no meu peito esquentando a pele que se machuca rasga sangra de dentro para fora para dentro do bico da chaleira.
São 04h07min da manhã, está um barulho estranho lá fora e eu me lembrei que esqueci de lembrar de trancar o portão. Tenho medo de sapos, não ponho meus pés lá fora – chão de terra – telefonaria para Campos Pereira – 34413425 – chamaria para tomar um chá dás 04h7min da madrugada, refletir sobre o futuro perdido de como a vida ainda pode melhorar vamos desligar a televisão com essas notícias de morte por balas perdidas, mas ela está dormindo e meu telefone cortado.
A gata tem um sininho prata, por onde ela passa faz um barulho e eu sei que gosto disso, não me sinto sozinho já que às 04h a casa é sempre escura, aí eu dou play no Pink Floyd, estourando meus ouvidos a madrugada toda e prometo que só experimentarei maconha na hora do “Another Brick In The Wall (Part II), fumando com meus pais.
Acendo a luz do banheiro e enfio fundo os dedos nos olhos até arder para imitar o sono. Mas o sono não vêm.
E esse bico de chaleira rasgando a minha pele, tá tocando os ossos, passando a cavidade toráxica e pulsando meu órgão muscular – SÍSTOLE – DIÁSTOLE – mandando sangue quente para a parte mais gelada do meu COR-po.
AAAAH, mas que sexy esses braços pra cima, hein? Mara, gato!
B E I J O