16:45

Alan Blair ~

Foto e Texto por: Alan.

(“A casa girou ao redor de si mesma duas ou três vezes e ergueu-se lentamente no ar. Dorothy teve a impressão de que estava subindo em um balão”) – “O Mágico de Oz”.

O estômago vazio desde o jantar do dia anterior, salvo apenas pelas sete xícaras de café e quatro bolachas de água e sal desde às oito da manhã do dia de hoje quando acordou com a música alta do vizinho do andar de cima.

Enviou “Boa prova mais tarde. Se quiser passar aqui em casa quando chegar, sei lá, tomar um café, conversar com o Brian, seria bacaninha, AP 401, beijos”.

Varreu a casa
Passou pano no chão
Mudou móveis de lugar
Abriu portas
Olhou a correspondência (essa carta que não chega!)
Repetiu o mesmo cd três vezes
Deitou
Levantou
Deitou
Levantou
Olhou o relógio
Olhou o relógio
Olhou o relógio
Defecou lendo “Ovelhas Negras”
Gozou no box
Rabiscou no vapor do espelho do banheiro
Pés gelados

A hora sem passar cada vez que volta a olhar para o relógio. Aquele fundo ácido no estômago de um maço inteiro de cigarros fumados sem fumar e o pulsar no peito, a mão molhada, sempre molhada.

Três incensos queimados, o pinguim de porcelana da geladeira limpo com Veja, o pulsar do peito, o relógio, mão molhada, vozes distribuídas pelos cômodos da casa.

Tem uma aranha na minha parede tecendo a teia traiçoeira que eu quase sem querer me envolvo, sufoco, enrolando rolando rolando rolando três quatro cinco vezes a teia bem na veia grossa do me pescoço.

16:21
16:22
16:24 – Brian se contorce no aquário.
16:26
16:29 – café.
16:30 – há fé.
16:34
16:35 – Uma nova mensagem na caixa de entrada – Pulsa, Pulsa- SPAM.
16:40
16:45
16:46 – Ter 10 Mar 09
16:48 – “I´m lost but I´m hopefull baby”.

Desconfortável(mente), Brian balança no aquário e eu o acompanho aqui da cama. Latidos perturbadores vindo de fora e até agora nada.

16:52

Nada.

17:05 – O interfone grita. Eu grito junto.

É.
Sim.
Ele chegou.
Ele chegou e leu pra mim:

“- Eu não posso entender por que você deseja sair deste lindo país e voltar para o lugar seco e cinzento que você chama de Kansas.

- Isso é porque você não tem cérebro – respondeu a menina. – Não importa o quanto nossos lares sejam monótonos e cinzentos, nós, pessoas de carne e osso, preferimos morar lá do que em qualquer outro país, por mais bonito que seja. Não existe nenhum lugar como o nosso lar.

O Espantalho suspirou.

- É claro que eu não posso compreender – disse ele. – Se as suas cabeças fossem cheias de palha, como a minha, vocês provavelmente viveriam em lugares lindos, e então não haveria ninguém morando em Kansas. A sorte do Kansas é que vocês têm cérebros.”

(“Apesar do balanço da casa e dos gemidos do vento, Dorothy fechou os olhos e adormeceu profundamente”)

2 Respostas para “16:45”


  1. 1 Anna 28/03/2009 às 23:32

    adorável bergamota!
    eu sei que precisamos e temos que conversar.
    já ouvi coisas saborosas sobre você e adoraria fazer parte.

    ando um pouco sem tempo.
    mas, devemos. sim!
    me adicione no seu mundo virtual.
    desde msn…a orkut. hehe.

    um beijo lindo.

  2. 2 Larissa 22/04/2009 às 21:22

    Muito legal, sentindo esse dia junto com vc… a foto então, genial… adorei passar por aqui


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Duas partes de um gomo:


O Alan:

20 anos; mineiro que come quieto e sonha.
SON-HA.


A Bergamota:

Eu tropeço, mas levanto. Eu acerto, mas nem tanto. Eu espero e não me canso. Eu me encontro em teu balanço.

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Comentários

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