O vestido de Apolo.

Alan Blair ~

Foto e Texto por: Alan.

Eu gostava dos filmes antigos de velho oeste.

As cidades eram sempre vazias, de chão de terra, e aquela bola de poeira/palha/vento rolava na rua, sem ninguém, sem nada, e o vento zumbia no ouvido, assobiando uma canção qualquer.

Lugares vazios me dão um tipo de solidão.

Há um tempo atrás costumava passar na TV propagandas de cigarros onde motoqueiros percorriam enormes estradas de chão, tudo muito deserto, no meio do nada, aquelas montanhas de terras enormes. Eu era bem pequeno e assistia com uma certa fascinação ruim, e quando eles paravam suas motos, acendiam um cigarro, assim meio no êxtase. No meio do nada, aquilo me dava um aperto no peito muito grande. Como “Thelma e Louise” com seu carro e seus sonhos, fugindo da polícia e se jogando de penhascos, suicidando pra viver.

Ainda pequeno, minha mãe ia pra aula e me deixava em casa. Não sei quantas horas demoravam pra ela voltar, mas demorava o bastante pra me sufocar. Eu deitava na sua cama e cheirava seus travesseiros como garantia que o cheiro dela ainda estava dentro de casa e que ela logo voltaria. Eu tinha medo dela nunca voltar. Ainda tenho medo.

Scarlet têm um mapa e um caminho que é só dela. Ela precisa caminhar para se encontrar, eu precisava me encontrar para me caminhar, só que eu não tenho o mapa que Scarlet têm.

” Apollo, your frock

Was always as beautiful

Always as beautiful as the saddest rainstorm

Apollo, your frock

Was always as beautiful

Always as beautiful as your sister’s

That your light shined on”

1 Resposta para “O vestido de Apolo.”


  1. 1 Hernando Neto 26/06/2009 às 15:33

    Esta ouvindo Apollo’s frock, perdido nos meus botões por causa da minha indecisa razão, quando ecido pôr no google “the saddest rainstorm”… Daí encontro um texto lindo de um moço da comunidade de Tori Amos…
    pois é, Alan, faz tempo que vc postou, mas acabou de chegar a mim.
    Obg ;) .


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Duas partes de um gomo:


O Alan:

20 anos; mineiro que come quieto e sonha.
SON-HA.


A Bergamota:

Eu tropeço, mas levanto. Eu acerto, mas nem tanto. Eu espero e não me canso. Eu me encontro em teu balanço.

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durante as estações…

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