Arquivo para a categoria 'bergamotas sadias'

~ bergamotas vencidas.

Alan Blair ~
Foto e Poesia por: Alan Blair.

(para ler ao som de Rattlesnakes, Tori Amos)

Disseram que eu iria ter uma surpresa.
Acabei fumando um cigarro vencido, vivenciando tudo o que eu estava tentando fugir, ficando com minhas narinas repletas de cheiros antigos.
Bebi um copo cheio de água num só gole e um cubo de gelo ficou entalado na minha garganta.
Espero que derreta logo.

Disseram que eu teria uma surpresa e a surpresa foi perceber que eu não sou tão forte quanto aparento ser.

– here comes the moon.

Alan Blair ~
Foto e texto por: Alan Blair

Certas coisas, situações, problemas, são facilmente solucionadas com diálogo.
DI-Á-LO-GO.

Estou lavando as minhas mãos, trocando os lençóis, mudando algumas coisas, direções, caminhos e perspectivas. A vida é modificada a cada novo dia e eu não posso tropeçar, querido. Seria uma falha minha cair em um abismo.

Entre tantos dias/horas, nem um pingo de atenção foi derramado na minha aquarela, estou com o pincel intacto. Intacto de você, mas não de mim.

Entre tanto silêncio e falta de bom-dia-como-vai-você houve excesso de estou-com-saudades-nao-sei-viver-sem-seu-amor, e foi aí que entrou o erro.

Ter em excesso é não saber viver em falta.
Na falta, damos valor ao mínimo, ao medíocre, ao resto, se for preciso, correto?
Aprenderei a acostumar todos sem meu máximo, para não sobrar (novamente).

Mas te mando beijos, te agradeço. De fato, as coisas foram boas. Boas em excesso e acabou sobrando, no fim, essa total falta de atenciosidade.
É do resto que eu aprendo a não deixar sobrar.
here comes the moon… lálálálá… here comes the moon…

Só não deixe de aparecer, ok?
Beijos.

Guia de bordo

Alan Blair ~
Foto: Alan Blair – Texto: Haroldo Lima

Em Vitória – cidade linda -, amando a vida, o amor. Desvendando pessoas, chateando-se com alguns esporros, cuidados!

Postando para Alan – Tentando desvendar mentes – Haroldo Lima. 

~ giralua.

Alan Blair ~
Foto e Poesia por: Alan Blair

Os girassóis estão brotando.
Estavam todos secos, mortos, cor de ferrugem, mas estão brotando.
Naquela casa, indo para rodoviária, repleta de girassóis.
Pode ser pelo fato do tempo ter esfriado e o sol ter fugido da gente.. os girassóis seguiriam quem?
Mas tudo está ficando quente novamente e já é possível sentir o calor dos raios de sol.
Portanto, os girassóis não ficarão mais solitários e girarão, girarão, girarão com o sol.
Gira sol, para o girassol girar.
Brilha sol, para o girassol brilhar.
Permaneça sol, para o girassol brotar.

E quando a noite chegar, (não deixe o sol saber disso) os girassóis permanecerão girando, já que aprenderam a amar o luar, tornando-se então, giralua.

Gira lua, para a giralua reinar.

 

, peneira

Alan Blair ~
Foto e Poesia por: Alan Blair

Use, então, o meu coração como peneira.
Ele tem estado cheio de buraquinhos, coando toda essa falta de atenção, essa falta da carinho.
Pinguinhos de cor (ultra)passam os buracos e pingam no chão, escorrem no piso, mas não descem o ralo.
Gotinhas de esperança colorida.

Borrará ou colorirá?

~ estrelas com olhos.

Alan Blair ~
Foto e poesia por: Alan Blair

Foi com o sopro do vento que passei a conhecer as estrelas
E foi com a luz das estrelas que descobri o brilho dos seus olhos
E foi com o brilho dos seus olhos que percebi que tudo fica mais simples, quando se pode sonhar.

– verdade

Alan Blair ~

Foto: Haroldo Lima – Arquivo Pessoal. Poesia por: Alan Blair

maldade-saudade.

, regozijo de sol*

Alan Blair ~
Foto e poesia por: Alan Blair

Quando descobri que, na verdade, o sol era o reflexo de sua alma, comecei a passar manhãs inteiras sob o telhado, esperando você nascer, tentando capturar seus raios na minha pele, como se você brilhasse só para mim.

O egoísmo é de minha parte, mas sempre fui dependente de raios de sol.

Tenho medo do escuro, do silêncio, do pô-do-sol.
Sinto frio sem seu brilho.

Você se pôs, e, agora que me deixas-te, qual (des)aventurado fará com minhas lágrimas telas abstratas de pingos em cor?
Não será poeta nem artista.
Bem-feitor?

Estarei amanhã bem cedo em meu telhado, para namorar seus raios e brilhar com seu brilho.

; Mosaico

Alan Blair ~

Foto e poesia por: Alan Blair

Pobre peito.
Terei absurdas convulsões de amor.
Dilatei-me em dezenas de micro pedaços.
Mosaico de vitral.
Cores novas partidas de contornos velhos.
Caleidoscópio.
Filtrei-me em centenas de macro partículas.
Cores boreais, aquareladas por paletas enferrujadas, manuseadas por mãos em calos, farpas, cacos.

Estou em expansão, hipnotizado pela sua capacidade pura de coragem.
Dos fios de seus cabelos, farei uma trança, ligando seu peito até o meu coração.
Artesanalmente, pegarei todas as linhas de suas mãos, e, unindo com as minhas, bordarei nosso futuro.
Juntos, intactos, simples.

Descubra sua cabeça, meu jardineiro. Descamaremos cada espaço desse escudo que envolve o seu peito vasto, e sem dor, benzeremos seus medos com as lágrimas que ainda precisam cair, lavando seu rosto, levando os receios, cristalizando sua alma.

Alma.
Calma.
Palma unida de nossas mãos.
Olhos bem abertos e passos firmes.
Na cabeça, fica a certeza da incerteza.
No coração, estampa-se a verdade de nosso amor.

; arde saudade.

Alan Blair ~

Foto: Haroldo Lima. Edição Fotográfica: Alan Blair. Poesia por: Alan Blair

Chorei de saudade.
SAU-DA-DE.
Em cada parte de cada sílaba é um corte no peito.
Desgraçados e cândidos são todos os amantes que se aventuram entre as vielas do coração.
Tropeçam, escorregam, esfolam joelhos
e a cada novo corte, mais forte é a coragem de suportar a saudade,
que como ferida viva
lateja, lateja, lateja…

– Artesão

Alan Blair ~
Foto e poesia por: Alan Blair

Você é um artesão que tem mágica nas mãos e serenidade na alma.
Soube moldar meus maiores defeitos e transformá-los em minhas melhores qualidades.

´ Paladar.

Alan Blair ~

Foto e poesia por: Alan Blair

Sinto um gosto gostoso.
Gostinho de gostar de gostos gostosos.
Gostinho de gostar de você.

; 1ª edição.

Alan Blair ~

Foto: Arquivo Pessoal. Poesia por: Alan Blair

Vamos cantar em duas vozes simultaneamente
Caminharemos de mãos dadas por aí.
Dormiremos de pernas enlaçadas até a velhice chegar.
Compraremos animais de estimação, sabão em pó, buquê de flor.
Juntaremos nossos cds.
Leremos nossos livros.
Publicaremos nossa história de amor, com uma primeira e única edição:
A minha e a sua.

” escapulida.

Alan Blair ~
Foto e poesia por: Alan Blair

Enchi um balão com amor.
Mas escapuliu dos meus dedos.
Fugiu no ar.
Porém, na verdade verdadeira, o “escapulir” foi uma desculpa, para o meu balão te encontrar

~viela das flores.

Alan Blair ~
Foto e poesia por: Alan Blair

Atravessei a viela das flores, e, ao passar, todas as pétalas vieram grudadas em mim.
Com a ponta dos meus dedos, recolhi cada uma delas e as transformei em uma única flor.
Com o contorno do meu coração, a envolvi e dei um laço.
Então, caminhei em passos lentos até a margem mais catita, e, enchendo o peito de esperança, a mergulhei e fiquei só, a observar.
E, aos pouquinhos, ela foi se distanciando, e de você, se aproximando, regada com meu amor.

– - Dois em um.

Alan Blair ~

Foto e poesia por: Alan Blair

Meu colchão é só para um, mas se você for merecedor, eu chegarei mais
para o canto.
Entrelaçaremos nossas pernas (como sempre ansiei) nos momentos mais
cândidos de nossa fuga? (Barganharia por tudo na vida).

Eu queria saber se o escuro é mesmo escuro perante toda a nossa luz.
As portas e janelas estão devidamente trancadas, e, ainda assim, estou
ofuscado no meio de tanto brilho, tanto amor (da sua alma).

Amarro-me em você, com medo de me perder pelo caminho. Estarei
completamente sã e salvo estando com você.
Minha mão está pingando suor. Você a beijaria?

Se tudo der mais do que certo (e ainda é incerto), se você for realmente
merecedor, então eu comprarei uma cama
maior, só para gente. Um casal. Somos dois, mas seremos, então um.
Dois em um.

; nosso outono.

Alan Blair ~

Foto e poesia por: Alan Blair

Eu dormi com um gosto de flores.
E eu acordei com um gosto de flores, e, sem perceber, cantarolando “Here Comes The Sun”.
Dormi com você. Acordei com você.

Eu precisava correr para alcançar a chuva, mas ela batia no chão antes de chegar até meu corpo. Como serei purificado?

Sinto flores na minha garganta, mas não me lembro de tê-las comido ontem.
Lembro-me de você, de suas escritas, de nossa esperança, do como será bom e precioso.
Eu me lembro de suas flores, e ao recordar, minhas pupilas tomam formas e cores diferentes.
Fico cego no meio de tanta flor.
Fico sem olfato perante todos os cheiros.
Mas fico seguro, se fico com você.

Não precisamos, nesse momento, da neve gelada para esconder as flores do chão. Esse inverno todo pode esperar por um segundo – queria dizer eternidade – pois precisamos plantar essas sementes internas e fazê-las florir.
Serão as únicas flores que não cairão no outono.
Seremos, portanto, únicos.


Duas partes de um gomo:


O Alan:

20 anos; mineiro que come quieto e sonha.
SON-HA.


A Bergamota:

Eu tropeço, mas levanto. Eu acerto, mas nem tanto. Eu espero e não me canso. Eu me encontro em teu balanço.

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durante as estações…

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