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Oi, Alanis.

Alan Blair ~
Foto e Texto por: Alan.

Nove dias agora, só nove dias e parece que eu não durmo tem nove anos e parece que eu não como nada sólido e parece que eu estou cada vez mais deslocado, desmembrado, distorcido, desgrenhado, e parece, realmente parece, que eu tô morrendo de medo de morrer.

Eu to com um tubo, um cano, uma crosta entalada bem no meio da garganta e eu estou implorando por uma vontade de vomitar, de escarrar, de me explodir e me cortar de cima a baixo, em pedaços, em trapos, surdos e mudos, sem postura, sem direito, sem dever, sem prever, sem,
mas ainda é prematuro.

Quarto sem porta, estalando dedos estalados, sufocando, su-focando, catarro escorrendo pelo nariz que não respira, descendo pela boca que não faz um som, assim, desfocado sentado na privada do banheiro, disse que ia cagar pra todo mundo, mas foi chorar, foi chorar com seus fones de ouvido, “And you’ve never met anyone”, com as luzes apagadas ninguém vê nada, ninguém escuta nada, exceto a torneira aberta pra disfarçar uma lavada de mão.

E quando a gente vai dormir, a gente gira, roda, se revolta por não conseguir e se desespera por saber que amanhã, oito dias, sete dias, seis dias, já é o dia e, nisso tudo, não dormimos uma noite.

Eu não sei,
eu realmente não sei,
mas preciso me livrar de tudo isso logo pra poder ficar tranquilo,
mas só tranquilidade não me basta.

Talvez, pedir um abraço já é pedir demais, e eu peço tão pouquinho, que seja, ao menos, um abraço sem carinho, mas que seja um abraço.

“You’ve brought water to me, making sure my bloom rebounds
you know best of what my special care allows” ~ Orchids.

Unsent em 2008.

Alan Blair ~

(eu e minha tia e meu primo na época de praia e avô joão).

Texto e Foto: Alan Blair

Querido Otávio…

Menino, como você era legal, e como tudo o que aconteceu entre a gente foi verdadeiro. Parecia filme, escondendo bilhetinhos por muros das ruas.

É uma pena que, agora, você abaixa a cabeça e disfarça o olhar quando a gente se cruza.

(Cuidado, querido. Ainda tenho cartas guardadas para incriminar teu amor).

Querido Ariza…
Sei que você está em minas, nesse momento. A lis me disse que deu de cara com você na sexta feira de noite. Se isso tivesse acontecido comigo eu acho que te sorriria amarelo e desajeitado, mas bastante amargo por dentro.
Você foi uma das coisas mais importantes que me aconteceu e eu sei que você sabe disso, e isso me machuca. Queria pegar uma faca bastante pontiaguda e cortar seu coração, lentamente e em pequenos pedaços, para que você chorasse pelo que eu chorei por você. Ainda assim foi bom. Te ver jantando e almoçando na mesa com a minha família foi como domingo, cachorro quente e refrigerante no quintal com crianças tomando banho de mangueira.

Eu penso em você todos os dias desde 28 de junho de 2007.
Todos os dias.
Não que eu seja obcecado por você ou completamente apaixonado por você ou deseje você. Mas é que você foi meu primeiro namorado e você foi o primeiro (e único ainda) que conheceu meus pais e que me mostrou músicas, livros, filmes e me fez superar aquele medo bobo de viajar.

Eu não devia ter viajado. Você não mereceu às oito horas de ida e às oito horas de volta de Leopoldina para Vitória.
Sempre morei em cidade pequena, nunca havia visto nada tão grande. Eu nunca havia atravessado um sinal de trânsito e você não deveria ter brigado comigo por causa disso. São coisas que machucam a gente, como a sua completa falta de etenção e de diálogo.

Aí hoje em dia eu penso em vocês todos os dias quando eu escuto algumas músicas, leio alguns livros e vejo alguns filmes, de certa forma você ainda está impregnado no meu coração, infelizmente. É que nós terminamos de uma forma não terminada e as coisas que eu tinha pra te falar na época, que eu não falei, só olhei pra você, forcei um riso (e não engoli o choro, depois) ainda estão aqui, engasgadas, como o prato de arroz e feijão que eu comia no dia que voce me ligou dizendo que estava à 3 minutos de mim e queria me ver.

Filho da puta.
Filho da puta mesmo.
Passar no vestibular, na federal, de primeira. Foi lindo pra mim te mostrar que eu consigo algumas coisas mesmo sem esse seu pseudo-intelecto de garoto maior e responsável. Bem feito pra você.
E responsável o caralho, se drogar da forma que se drogou não é nada responsável, e eu pelo menos nunca experimentei maconha e passei de primeira no vestibular.

Esse seu cabelinho de lado, a sua blusinha branca de botons, a calça rasgada e a mochila nas costas, quase que um revolucionário segurando uma bandeira. Só faltaria a blusa do che, pra você mostrar para todo mundo que um garoto como você – comunicação social e muito cigarro fumado – tinha idéias e opiniões e linhas para escrever um livro.

Eu vou conquistando um punhado de coisas e vou pensando em você. Queria sentar contigo, tomar uma cerveja, te mostrar o que estou aprendendo, saber da sua vida vitoriana e relembrar esse teu jeito.Quero te mostrar que aprendi a viajar sozinho e sei que pato bota ovo. Falei aquilo só de zueira, nem sei porque.

Eu devia era ter traído você quando tive oportunidade, mas eu não seria mais eu, sabe que não gosto dessas coisas.

Aí você volta na minha casa depois de 20 dias, assim, de surpresa – bergamota, estou à 3 minutos da tua casa e vou ai te ver – e me pega sem jeito, e eu digo – ah, agora? tá – mas na verdade eu grito – caralho, o que eu vou fazer? – e eu te abro a porta e bate vento e vem aquele cheiro de cigarro violento (você nao tinha parado de fumar quando a gente começou a namorar?) e eu olho pra voce e voce olha pra mim e me mostra sua blusinha nova – a maira quem me deu, de coqueirinhos (você sempre foi tao movimentista, senhor tropicalia) e vai pro meu quarto, pergunta se estava estudando pra passar de ano (vai tomar no cú) e pergunta se estava gostando do livro que me indicou (vai tomar no cu) e me fala que sente falta da minha casa, dos meus pais, de mim e que você era um idiota (mmm, é, você tá certo, idiota). Aí você desce, diz que volta nas férias pra gente sair e nunca mais volta, deixa a porta aberta, você deixou a minha porta escancarada, filho da mãe, e eu to aqui, mais de um ano depois e o que mais me doi de tudo isso é que eu, infelizmente, ainda penso frequentemente em você e tenho um carinho por você, velho, e se rolasse da gente ir tomar uma cerveja e conversar sobre o futuro e o novo ano e as coisas velhas, ia ser bem bacana. Você sabe onde me achar. Feliz ano novo.

:)

Querido Diego…

Você foi o cara mais sexy com quem eu já me deitei. Você foi a pessoa mais bonita que eu já me relacionei.
Lembro de te ver e falar – meu deus, que homem bonito… – e a forma como as coisas aconteceram com a gente foi da forma que eu mais prezo e admiro.
Voce do meu lado, sentado na roda, sua mao no meu joelho, minha mão na sua mão e o meu rosto corado, olhando pra baixo, morrendo de vergonha, morrendo de vontade, morrendo de esperança de desamar um outro alguém.
E foi intenso e verdadeiro e bonito demais.

Você é do tipo de homem trabalhador que chega em casa cansado e ainda tem disposição para agradar a sua mulher, dar todo o amor pra ela e ser o dono do pedaço.

Acho que foi aí que apareceu o erro, meu querido.
Eu não era mulher, eu nao sou mulher, eu nao era e não sou o “seu menininho”.
eu tenho vinte anos nas costas e não “meu menininho de 14 anos” como costumava falar.

Tenho as mesmas necessidades que as suas necessidades, e posso ter cara de anjo mas posso ser muito mais forte e bravo do que sua mãe ou seu pai.

Te desejei demais, e tive você demais, e achava lindo as coisas que você fazia para estar comigo… lindo, meu lindo.
Mas acontece que depois de sete meses com algumas privações a gente cansa, né?

É bom falar com você sempre, meu querido, e foi lindo a gente terminar sem brigar, se amando e chorando esse término. Eu to aqui sempre para o que você precisar, fique a dica, fomos lindos juntos e eu te agradeço por isso.

Obrigado por tudo.

Ah, diego, seja mais flexível se houver outro relacionamento homossexual e pare de escrever alternado no msn.

Beijos!

Wanted.

Alan Blair ~

Texto e Foto: Alan Blair

Sou um cara bacana, tranquilo e legal que busca uma pessoa preferencialmente do sexo masculino que seja também bacana, tranquilo e legal. Não precisa ser bonito em demasia, mas também não precisa ser from hell. Fico satisfeito com as pequenas coisas e demonstrações de amor. Se quiser me comprar caros presentes ficarei grato, mas uma flor não me faria mal nenhum. Essencial que goste de bons filmes, boas músicas, bons livros e uma boa sogra, que durma de conchincha e que ela não se desmanche durante a noite, e que esteja apto a enfrentar tempestades, dificuldades e obstáculos, sejam eles quais forem, e acima de tudo, seja livre para amar sem preceitos.

22/09/2007

Alan Blair ~
Foto e texto por: Alan Blair

Fragmentos de um ontem – vinho na mão, strokes no toca disco, luz morta, quarto vazio.
Mistura de um ânimo alcoólico com um vazio ilícito.
Nos pés, um tom de “vermelho trocado” com um preto esfolado, rasgado, imundo.
Nas mãos, toques.
Simples toques.
Unidos toques.
Escarrei.
A paralisia da cama não foi capaz de suportar as palavras “…sofreu um acidente…”
Acidente.
A-CI-DEN-TE
Meu pai no hospital, estômago vazio e um gosto ácido de vômito na boca.

.humano

Alan Blair ~

Foto e Poesia por: Alan Blair

sou malevolente,

promíscuo, lascivo, provinciano, sensual, lúdico, escorregadio, rústico, feminino, misturado, indistinto, confuso, acanhado, obscuro, desordenado, hipérbulo, ambíguo, homossexual, perplexo, embaraçado, duvidoso, atencioso, descrente, contente, paranóico,  acanhado, incerto, homem, imperfeito, hetero, incompleto, libidinoso, travesso, devasso, lúbrico, húmido, resvaladiço, íngreme, perigoso, inseguro, problemático, sonhador, fantasista, devaneador, inacabado.

sou humano.

¨ mundo medíocre.

Alan Blair ~

Foto e poesia por: Alan Blair
Gostaria, pelo amor de Deus, de você e de todos, que parasse de chorar por qualquer coisa, motivo ou simples situação.
Daqui a alguns anos, lágrimas serão raras, não desperdice as suas.
Gostaria também que parasse com sua síndrome de tudo.
De medo, de solidão, de timidez, de falta de atenção.
Falando em atenção, gostaria que demonstrasse mais afeto pela sua família.
Por acaso, já disse alguma vez “eu te amo” para a sua avó? (Única avó presente).
Se continuar roendo as unhas, perderá todos seus dedos.
Já basta o coração roído.
Pare de ter medo do que as pessoas irão pensar.
O ponto de vista delas não te fará vencer na vida, porra.
Siga seu caminho de acordo com seus passos.
Não queira ir rápido demais, poderá facilmente tropeçar nesses buracos tão profundos.
Seu quarto é abafado. Com as três janelas fechadas e a porta jamais destrancada.
Ponha cor na roupa, saúde no coração e força nos braços para agüentar o turbilhão de coisas que estão por vir.
Tenha coragem.
Ninguém terá piedade por você.
Consciência de seus atos faz bem e é essencial, meu filho.
Se as coisas começarem a apertar, dê um salto e não se desespere, pois tem muita gente mais fodida nesse mundo do que você.

(a maior motivação que temos nesse mundo medíocre).

– bifurcação

Alan Blair ~

Foto e poesia por: Alan Blair

Então, antes que eu termine de piscar meus olhos, já abro as janelas para renovar esse ar. Sentado na mesma e antiga cadeira da mesma e antiga casa do mesmo e eterno lugar, consigo ver as novas e inconstantes nuvens, que passam, misturam, confundem e chovem, até desaparecer.

Não estou capacitado para reconhecer toda essa mudança em anos pequenos. O Olhar inocente de menino medroso continua brilhando no escuro dos olhos, mas passei a fazer uso da precaução. Carrego na mão direita um mapa para não me perder entre os cruzamentos dessa cidade.

A cautela se faz perceptível nos meus passos contados, e a segurança vêm atrás, amarrada em meus ombros, me ligando até os seus. Eles se cruzam, se juntam, misturam e mesclam.

Nessa minha caminhada existe uma bifurcação.

A distância que me priva de você é a mesma em que eu percorro para te encontrar. Faço o uso da segunda distância, sem ao menos parar para pensar se isso é o certo.

Sou sereno, assim, se sigo contigo.


Duas partes de um gomo:


O Alan:

20 anos; mineiro que come quieto e sonha.
SON-HA.


A Bergamota:

Eu tropeço, mas levanto. Eu acerto, mas nem tanto. Eu espero e não me canso. Eu me encontro em teu balanço.

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durante as estações…

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