Arquivo para a categoria 'esperanças'

– colhendo a via láctea

Alan Blair ~
Foto e Poesia: Alan Blair

Juntei estrelas e coloquei nas pontas de meus cabelos.
Escorreu tudo ombro abaixo, peito abaixo, corpo abaixo.
Parou no pé e fincou no chão.

Plantei estrelas para colher via lácteas.

esperanças ~

Alan Blair ~
Foto e Poesia: Alan Blair

(com o amigo Alexandre…)

Hoje pousou uma esperança em mim
Subiu pelo meu braço e voou.
Foi então que, por onde ela passou, começou a esperançar.
Virei uma esperança sem limites para voar.

~ vertentes.

Alan Blair ~
Foto e Poesia por: Alan Blair

Não aguentei.
Enchi a bolsa com fotografias, estrelas, canções e fui embora.
Deixei para trás alguns amigos, alguns amores, e levei comigo um pouco da saudade de toda a simplicidade que era viver.
Talvez eu repouse dentro de uma árvore, afogado em um rio, enraizado no chão.
Ou talvez não.

Luz Cadente

Alan Blair ~
Foto e Poesia por: Alan Blair

Pois foi assim que aconteceu:
Feito romance de García Márquez, derramou-se de tristeza por um desses amores jamais compreendidos, e ao invés de jogar-se dos milhares de precipícios, usou a força da angústia para brotar asas nos braços.
Voou no céu feito um anjo grandioso, tocou o teto do infinito, abriu as asas e deu um grito. Explodiu toda a sua dor, restando, então, sua afeição.
Tão distinta foi a explosão que transformou-se em luz cadente.
Não lembrava-se mais do desamor, já que era abençoado por todas as pessoas do planeta, sendo o sol pela manhã e, de noite, a grande lua.

~O broto humano.

Alan Blair ~
Foto e Poesia por: Alan Blair.
(aos amigos Joun e Fabrício Valente)

Até que o clima mudou bastante, e mudamos junto com ele.

Abriu sol hoje no meio de tanta tempestade e as nuvens distanciaram-se, abrindo espaço para um lindo céu azul.

Aí tem todo aquele ritual dos pássaros cantando, indo para outras direções, as sementes brotando, crescendo, reproduzindo, os animais em festa, insetos em flores, canários pais levando comida para canários filhos, borboletas rabiscando o céu e arco-íris atrás da montanha.

Em todos nós é aberto aquele sentimento de liberdade junto, e da felicidade de sabermos que no meio de tantas intempéries pode nascer a esperança.
Somos, pois, como simples sementes cravadas na terra, bem lá no fundo, onde ninguém nos enxerga.

Por ventura e sorte, algumas gotas de chuva tocam nossa casquinha e vamos absorvendo essa vida em líquido. E é aí que viramos broto.

Broto verde, vivo, indefeso, com seu delicado caule, mas poderosa raiz.

A graça da vida é conseguirmos desenvolver-nos sem quebrar esse caule frágil, conseguirmos dispersar os insetos e vencermos as tempestades de ventos que teimam em nos entortar.

Todos dizem que a vida é curta, e seja dita a verdade, a vida é curta. Quando vamos perceber, já não somos mais sementes, nem broto, nem planta, nem árvore. Somos balões, grandes, coloridos, livres, em direção, quem sabe, ao longo horizonte, à lua, ao infinito, aonde queira o vento nos levar ou a coragem e vontade de chegar.

Claro, nesse percurso sempre haverá algum perigo. Enormes montanhas, rajadas de vento, medo de altura, pássaros errantes com seus bicos pontudos. Mas no céu não há limite para que tem sonhos, perspectivas e até ambições, por que não?

Viver é ser livre, é caminhar em passos lentos na direção correta da vida, sempre reto, nesse horizonte distante que temos em mãos, digo, em pés. É conseguir levantar depois do tombo sem medo de errar. Não podemos esquecer da imperfeição das pessoas, que cá pra nós, é nossa melhor qualidade. Ser imperfeito é buscar pela nossa própria evolução, sendo sempre um ser humano diferente de todos os outros, mas fazendo a diferença cada vez mais.

Nascemos, crescemos, aprendemos, evoluímos, chegamos até o cume da nossa vida, e só então percebemos que, na vida, não há cume, nem começo e nem fim. Estamos nessa constante expansão.

; (in)Certezas.

Alan Blair ~
Foto e Poesia por: Alan Blair

- Vamos, eu seguro a tua mão.
- Não, não dá.
- Eu prometo que não solto, cara, seguro bem forte.
- Não sei, é como se ainda não fosse o momento.
- Se o momento não for agora, quando será?
- Não sei, é algo tão impreciso. Na verdade estou incerto de muitas coisas, a certeza me faz falta tem um bom tempo.
- Eu tenho a certeza de ser capacitado a segurar a tua mão, de pular deste penhasco e não cair no chão. Eu tenho a certeza de abrir minhas asas, de abrir teus braços, te juntar no meu corpo como se fôssemos apenas um e fugirmos do manicômio do mundo.
- A esquerda ou a direita?
- As duas.

, Da efemeridade.

Alan Blair ~
Foto e texto por: Alan Blair

O mais impressionante do homem é a compreensão de que as coisas/pessoas são efêmeras e teimarmos/lutarmos pelo contrário.

A recompensa final é saber que tentamos.

. Meu querer.

Alan Blair ~

Foto e Poesia por: Alan Blair

Eu queria ser errante
inquieto, inconstante.

Ser invisível, irredutível
indiferente, impreciso.

Eu queria ser um nó
Um laço firme, uma costura

Mão-com-mão, uma agulha
Cicatriz,
Queimadura.

Eu queria era ser livre
Vento solto,
Água crua,

Ser filhote
Alma nua,
Corpo
Tato
Ter ventura.

Eu queria ser o dono da coragem que há no mundo.

– ela.

Alan Blair ~
Foto: Vanessa Pires. Poesia por: Alan Blair

Poesia inspirada e dedicada para Vanessa.

- diz para ela (em sussurro, em resmungo ou mesmo mudo… diz, finalmente, com os olhos, pois esses não mentem, seja cego, seja míope, seja impuro) que lá no fundo, após a pele, após o osso, após o músculo, existem estrelas que brilham e ofuscam, enviando pelas veias toda a esperança de todo o mundo.

– - re(nascimento)

Alan Blair ~

Foto: Arquivo Pessoal. Poesia por: Alan Blair

Por engolir o seco
Acabei comendo em pó
Pigarreei e escarrei.
Cuspi para fora dezenas de lágrimas (in)contidas ao dia, e que por esse motivo, não suportaram a frieza da noite.
Depois disso, re(nasci).

. vermelho doce

Alan Blair ~

Foto: Arquivo pessoal. Poesia por: Alan Blair

Fazia café com açúcar de sangue ardendo em fogo brando.
Vermelho doce.
Borbulhava, esguichava e espirrava na pele, queimando em vapor.
Mas degustava, sereno, sozinho, sem receio, como se o quente fervido filtrasse seus medos.
E filtrava.

*sorriso de sol

Alan Blair ~

Foto e poesia por: Alan Blair

Amanheceu nublado hoje.

Podia fazer sol.

As pessoas lá embaixo correm de um lado para o outro, inutilmente, tentando escapar do vendaval que varre as ruas.

Eu gosto de tomar banho até minhas mãos e pés enrugarem, mas está nublado lá fora, logo começa a chover, raios e relâmpagos irão me assombrar.

Bem que podia fazer sol.

É que dias assim, sem sol, me tiram a coragem que eu já nem sei se ainda tenho.

Se não pode fazer sol, que escorra, de uma só vez, toda a tristeza lamentada pelo céu.

Mas eu estou seguro aqui dentro desse quarto vazio.

Eu e o pó.

Eu e a velhice.

Eu e o desgasto.

E ainda está tão nublado lá fora.

Nuvens carregadas me assombrando.

Será mesmo que vai chover?

Os pássaros se protegem aonde?

Carteiros trabalham durante a chuva?

E os cães de rua, mendigos, estátuas vivas?

Deus, despeja sobre eles toda sua proteção.

Podia mesmo fazer sol.

Pray

Alan Blair ~

Foto e poesia por: Alan Blair

Ei, Pai, me enxergue, só agora, depois você pode desviar a atenção, o olhar.

Estou vivendo em um mar que sou forçado a navegar, ondas geladas, marés impetuosas, não vejo ilha nenhuma daqui de dentro. E olha pra mim. Meu barco é tão pequeno e eu ainda sou tão prematuro. Não me esconda a coragem, já que a fé naufragou nesses percursos distantes. Eu estou cansando, Pai, e só queria um pouco de força nas pernas e esperança no coração, mas nem isso.

Meu filho, que um dia ainda irá nascer, se nascer, já estou adiantando um pedido de perdão por ter deixar vir para uma terra tão escassa de humildade. Onde estão os abraços apertados? Os beijos roubados? As palavras de conforto?

Nesse meu desespero, eu teria rezado tão forte e tão alto que eu teria me despedaçado, e mesmo assim, ninguém teria notado nada.

Para tantos, é mais fácil vendar os olhos e caminhar em linha reta, largados a mercê de tiros certeiros. Talvez, estejamos desperdiçando a esperança que não temos, aguardando um futuro que não virá, atando nossas mãos, caminhando em passos largos na direção errada, sem tomarmos cuidado com os becos sem saída.

Me dê um mapa, Pai, um mapa e um pouco de coragem

– manual de bordo.

Alan Blair ~
Foto e poesia por: Alan Blair

Bom dia! Sorria!
O tempo voa no compasso do vento. Não perca seu tempo martirizando o desgasto. O velho se renovará quando você perceber que a vida é ligeira para quem quer viver.
As desilusões estão em alta. A esperança está em falta. Onde estão os apertos de mão?
Não se aflija, meu filho. Erga o seu queixo e acredite em si. O horizonte é distante para quem não é obstante e não carece sorrir.

Boa tarde! Viva!
Renove seus atos, descalce seus pés, compre um cão, destranque uma porta, cante uma música, não fure uma fila, sinta o vento passar, escute um pássaro cantar, guarde um segredo, namore ao luar e comece a entender que o sentido da vida abrange o ciclo do nascer e viver.

Boa noite! Não tenha mais medo.
O pior já se foi. A maré baixou e no mar de suas lágrimas salgadas, seu barco não naufragou. Está a navegar em uma correnteza de esperanças sem porto para chegar. Desprenda-se do passado, não tema o presente e batalhe seu futuro. Os limites se extinguem quando se pode sonhar. Há barreiras no tempo, há barreiras na vida e o percurso é longínquo. Não se deixe intimidar, não desista, não queira precipitar. Se cair, levante! Mas arrisque, debata, opine! Não espere, em vão, no portão, um perdão, da boca calada, rachada de frio, e no fim do percurso perceberá que a caminhada só está para começar.

Boa sorte criança


Duas partes de um gomo:


O Alan:

20 anos; mineiro que come quieto e sonha.
SON-HA.


A Bergamota:

Eu tropeço, mas levanto. Eu acerto, mas nem tanto. Eu espero e não me canso. Eu me encontro em teu balanço.

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durante as estações…

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