; nosso outono.

Alan Blair ~

Foto e poesia por: Alan Blair

Eu dormi com um gosto de flores.
E eu acordei com um gosto de flores, e, sem perceber, cantarolando “Here Comes The Sun”.
Dormi com você. Acordei com você.

Eu precisava correr para alcançar a chuva, mas ela batia no chão antes de chegar até meu corpo. Como serei purificado?

Sinto flores na minha garganta, mas não me lembro de tê-las comido ontem.
Lembro-me de você, de suas escritas, de nossa esperança, do como será bom e precioso.
Eu me lembro de suas flores, e ao recordar, minhas pupilas tomam formas e cores diferentes.
Fico cego no meio de tanta flor.
Fico sem olfato perante todos os cheiros.
Mas fico seguro, se fico com você.

Não precisamos, nesse momento, da neve gelada para esconder as flores do chão. Esse inverno todo pode esperar por um segundo – queria dizer eternidade – pois precisamos plantar essas sementes internas e fazê-las florir.
Serão as únicas flores que não cairão no outono.
Seremos, portanto, únicos.

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2 comentários sobre “; nosso outono.

  1. as flores ainda arranham minha garganta, descem pelo nariz, são engolidas.
    carta no correio, esperanças a postos, algum desânimo.

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