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Alan Blair ~

Foto e poesia por: Alan Blair

Recordando os acontecimentos passados, eu me encontro perdido bem no meio de toda essa multidão que passa, vai, volta e foi. E percebo todo o tempo perdido e gasto com suas lamentações, meu tédio e suas loucuras.
E o pior, e irônico, e errôneo, e imutável de tudo isso é que eu sou completamente viciado e necessitado e responsável por suas lamentações, meu tédio e suas loucuras.
Você me oferecia ar fresco enquanto eu trancava portas e janelas.
Eu cobria sua boca com o lenço da minha avó enquanto você me vendava os olhos com a blusa do seu ex-namorado.
Você me vendava os olhos com a blusa do seu ex-namorado?
Você vendava meus olhos com a blusa do seu ex-namorado.

Você é católico devoto e ao menos sabia que ele – seu ex – menosprezava Deus?
E ainda assim, continuava a vendar meus olhos com a blusa dele.

Nem o seu Deus, nem você, nem ele e nem ninguém poderiam saber o quanto eu desprezo aquele pedaço crespo de pano.
0% algodão.

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¨tópicos.

Alan Blair ~
Foto e poesia por: Alan Blair

Eu sei que gosto de satisfazer desejos. De embriagar minhas vontades. Saciar todos meus vínculos. De filtrar meus pensamentos, minhas verdades.

Enfrenta-me.
Decifra-me.
Enfeita-me, um dia desses.

Pray

Alan Blair ~

Foto e poesia por: Alan Blair

Ei, Pai, me enxergue, só agora, depois você pode desviar a atenção, o olhar.

Estou vivendo em um mar que sou forçado a navegar, ondas geladas, marés impetuosas, não vejo ilha nenhuma daqui de dentro. E olha pra mim. Meu barco é tão pequeno e eu ainda sou tão prematuro. Não me esconda a coragem, já que a fé naufragou nesses percursos distantes. Eu estou cansando, Pai, e só queria um pouco de força nas pernas e esperança no coração, mas nem isso.

Meu filho, que um dia ainda irá nascer, se nascer, já estou adiantando um pedido de perdão por ter deixar vir para uma terra tão escassa de humildade. Onde estão os abraços apertados? Os beijos roubados? As palavras de conforto?

Nesse meu desespero, eu teria rezado tão forte e tão alto que eu teria me despedaçado, e mesmo assim, ninguém teria notado nada.

Para tantos, é mais fácil vendar os olhos e caminhar em linha reta, largados a mercê de tiros certeiros. Talvez, estejamos desperdiçando a esperança que não temos, aguardando um futuro que não virá, atando nossas mãos, caminhando em passos largos na direção errada, sem tomarmos cuidado com os becos sem saída.

Me dê um mapa, Pai, um mapa e um pouco de coragem

– nem distante é o horizonte.

Alan Blair ~

Foto e poesia por: Alan Blair

É como uma volta da escola para casa a nossa vida. Quando estamos dentro da sala de aula, nos encontramos tao seguros, tão sábios, tão amparados… mas só da porta pra dentro, pois da porta pra fora estamos sujeitos a todos os tipos de provações, perigos e armadilhas… e muitas vezes, aquele conhecimento todo que aprendemos se dissolve em nada. Mas é preciso canalizar todos esses nossos sentimentos, nossos medos, desejos, segredos e ambições. Acho que só assim, saberemos de verdade o que queremos, o que buscamos e o que podemos suportar. A vida passa muito rápido e não podemos perder o nosso tempo com o que não nos faz crescer. É preciso ousar, opiniar e batalhar… só assim conseguiremos enxergar um horizonte distante em nosso futuro.

– manual de bordo.

Alan Blair ~
Foto e poesia por: Alan Blair

Bom dia! Sorria!
O tempo voa no compasso do vento. Não perca seu tempo martirizando o desgasto. O velho se renovará quando você perceber que a vida é ligeira para quem quer viver.
As desilusões estão em alta. A esperança está em falta. Onde estão os apertos de mão?
Não se aflija, meu filho. Erga o seu queixo e acredite em si. O horizonte é distante para quem não é obstante e não carece sorrir.

Boa tarde! Viva!
Renove seus atos, descalce seus pés, compre um cão, destranque uma porta, cante uma música, não fure uma fila, sinta o vento passar, escute um pássaro cantar, guarde um segredo, namore ao luar e comece a entender que o sentido da vida abrange o ciclo do nascer e viver.

Boa noite! Não tenha mais medo.
O pior já se foi. A maré baixou e no mar de suas lágrimas salgadas, seu barco não naufragou. Está a navegar em uma correnteza de esperanças sem porto para chegar. Desprenda-se do passado, não tema o presente e batalhe seu futuro. Os limites se extinguem quando se pode sonhar. Há barreiras no tempo, há barreiras na vida e o percurso é longínquo. Não se deixe intimidar, não desista, não queira precipitar. Se cair, levante! Mas arrisque, debata, opine! Não espere, em vão, no portão, um perdão, da boca calada, rachada de frio, e no fim do percurso perceberá que a caminhada só está para começar.

Boa sorte criança