– in-fi-ni-to.

Alan Blair ~
Foto e conto por: Alan Blair

E foi sem desespero nas mãos e forças nos dentes que ele se levantou daquela cadeira (única cadeira) no centro da sala (única sala) e caminhou (em nome do pai) em direção à janela (em nome do filho), e aos pouquinhos, foi abrindo, fresta por fresta (em nome do Espírito Santo).

Abriu.

(Amém).

Lá fora era infinito.

“In-fi-ni-to”, ele pensou.

E olhou em volta, e viu, novamente, a velha cadeira daquela sala.

Com as mãos, ajeitou os cabelos, tirou os sapatos, a sua blusa, calça, casca, carne, tristeza, limitações. Ficou só alma-alma e subiu no parapeito da janela.

Antes de derramar-se, ainda olhou em volta e pensou “porquê não?”.

Fechou os olhos, sem desespero nas mãos e nem força nos dentes. Ficou leve, e foi, devagarzinho, escorregando da madeira gasta da janela velha e suspirou.

Era gostoso assim, não ser mais parte morta daquela sala, e sim vivacidade de todo o céu. Antes de desaparecer de nossas vistas, ele pensou “In-fi-ni-to” e disse “Amém”, catito, na gostosura que era viver.

Anúncios

3 comentários sobre “– in-fi-ni-to.

  1. ui… leia o texto ouvindo Janis Joplin – Summertime (como eu estou fazendo) e você sentirá um calafrio subindo por todas as vértebras da sua espinha (como eu estou sentindo).
    amor, veja bem… arranjei alguém chamado saudade… (mas já quero me livrar dela)
    amo você.
    (:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s