Ponte.

Alan Blair ~
Foto e Poesia por: Alan Blair

Nesse rumo da vida, deixei de acreditar em coisas que possuam sentido.
O que sobrou foi o enigma, a obscuridade nas coisas, o lado invisível das pessoas.
E o que irá restar de tudo isso é uma nova forma de caminhar.
Poderei estar sozinho, mas serei uma ponte.
Há quem atreve-se.
Há quem recue.
Na dúvida, colocarei uma placa, indicando meu caminho.

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Luz Cadente

Alan Blair ~
Foto e Poesia por: Alan Blair

Pois foi assim que aconteceu:
Feito romance de García Márquez, derramou-se de tristeza por um desses amores jamais compreendidos, e ao invés de jogar-se dos milhares de precipícios, usou a força da angústia para brotar asas nos braços.
Voou no céu feito um anjo grandioso, tocou o teto do infinito, abriu as asas e deu um grito. Explodiu toda a sua dor, restando, então, sua afeição.
Tão distinta foi a explosão que transformou-se em luz cadente.
Não lembrava-se mais do desamor, já que era abençoado por todas as pessoas do planeta, sendo o sol pela manhã e, de noite, a grande lua.

O dono das flores.

Alan Blair ~
Foto e Poesia por: Alan Blair

para Caio F.

Viveu sozinho por 43 anos.
Depois disso, mudou-se para o interior do interior e foi, ainda só, cultivar um jardim.
Não importava-se com tal solidão, ou com a casa sempre vazia.
Do jardim, ele sempre escutava risos e suspiros e aromas de todas as cores, e florescia logo cedo com um sorriso enraizado na pele.
Dizia ele: “Quanto mais flores, mais amores.”