welcome to sunny flórida.

Alan Blair ~
Foto: Fabrício e Texto: Alan Blair

Tem um mosquito subindo e descendo a tela do computador, e, depois de tanto calor que fez em Leopoldina, está chovendo um pouquinho. Todas as luzes estão apagadas. O que mais clareia essa escuridão é a televisão ligada, com a Tori cantando só para mim.

Está tudo bastante silencioso, apesar da música e do barulho que a chuva faz batendo no telhado de alumínio, (se é que o telhado é mesmo feito de alumínio).

Queria que a chuva despencasse muito mais forte, (eu sempre gostei de trovões barulhentos e da falta de energia, sempre achei velas um objeto bem cênico), e queria também aumentar o som no último volume, fazer a voz da Tori cortar meus tímpanos, mas já são 23:42 e a vizinha não gosta muito dela. Aí eu abro a geladeira, (pelo caminho vejo a Julie deitada no canto), e pego um saco de azeitonas para comer enquanto escrevo coisas como essas.

O mosquito desceu mais pela tela do computador. Daqui a pouco ele sobe novamente.

Saio daqui umas três da madrugada, pego o celular, ligo a lanterna para não cair da escada, abro e fecho as portas pelo caminho, tiro minha roupa e me deito.

No domingo, pego cinco ônibus de volta para a saudade, escutando e cantando (baixinho) “father lúcifer, you never looked so sane…”