aguardente

Alan Blair ~

Foto e Texto por: Alan.

Mastigo os meus fones de ouvido.

O joelho encostado na mesa de mármore, gelado.
Luminária de argila com furos.
Olhos quentes, aguardente, água ardente descendo pelo meu pescoço, alcançando o peito, barriga.

Eu vou respirando fundo, assim, puxando o ar, soltando o ar, o nariz fazendo barulho,
entupido de catarro querendo escorrer.

Nos meus dentes, o fio dos fones, e eu pressiono mais forte, mais forte,
tocando qualquer Tori do tipo que me desfalece e me corta, e, mordendo mais forte,
mais forte, quase arrebentando o plástico dos fios, para que assim, no silêncio,
reste apenas o barulho do nariz entupido, olhos quentes, água ardente, aguardente queimando meu rosto, meu pescoço, meu peito, minha barriga e o catarro já escorrendo sem nem conseguir mais segurar, a respiração presa, sufocando.

Eu queria pausar tudo agora para poder ter mais colo de mãe, sentindo o cheiro de bolo de banana e dizer coisas do tipo como é difícil saber que meu tempo está acabando
e de como é bom estar aqui, presente,
mas eu não consigo escrever, por mais que eu tente, não sai.

Me enxugo antes que alguém suba para beber água,
já que pesar compartilhado é sempre mais difícil.

Amanhã é menos um. E aí?

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What it all comes down to?

Alan Blair ~
Texto por: Alan.

(sobre o show da alanis, sobre são paulo, rio de janeiro e meus amigos com benefícios)

(para se ler com madness e orchids repetidas vezes…)

Em terras leopoldinenses dessas minas gerais, saí do ônibus às duas e quarenta da tarde com um arco-íris desfocado no céu.
Em seis dias algumas muitas coisas aconteceram, e por mais que eu tenha sido protagonista de tudo (dentro do meu ponto de vista pessoal), acabei sendo mais um telespectador daqueles que, com uma enorme bacia de pipoca, senta no sofá e assiste vidrado um dvd, um jagged little pill, live, talvez.

E agora, na minha pequena Leopoldina, sentado no banheiro com a porta fechada, aproximadamente nove da noite, tentando digerir tudo o que me aconteceu, com 39,5° de febre e a garganta estourando, sem saber se é conseqüência pós-alanis ou apenas uma puta gripe.

Tem algo de estranho acontecendo, cara. É como terminar de ler o último capítulo de um livro e, imediatamente, começar a ler outro, quem sabe até uma continuação do livro anterior, feito uma saga. Mas o que resta é perceber que, em alguns dias, coisas aconteceram e geraram mudanças e da mesma forma que a minha garganta está estourando, a minha cabeça também está, louca para sair por aí, rodando que nem you learn, nu na sala de visitas.