Pequeno Incendiário

Alan Blair ~

Foto e Texto por: Alan.

“Just say yes, you little arsonist.
You’re so sure you can save every hair on my chest.
Just say yes, you little arsonist.”

Carros atropelam minhas pegadas antes de, literalmente, me encontrarem.

E eu estou correndo.
To correndo, to correndo, to comendo as migalhas que Maria deixou pelo caminho antes de, literalmente, me encontrarem.

Há muitos anos eu perdi em algum lugar o meu senso infalível de direção.
Fujo de encruzilhadas.
Então eu corro.
Eu corro, eu corro, eu escorro o suor da minha mão na sua mão antes de, literalmente, me encontrarem.

Eu estou tentando te acertar, garoto.
Eu estou tentando te acertar com a ponta afiada da minha faca, antes de, literalmente, me encontrarem.

E se me encontrarem, nu e sádico mordendo sua panturrilha, eu levanto e me visto e persigo os carros que, propositalmente, tentam me alcançar, para descobrir que você está no controle da direção, a duzentos por hora, tentando me acertar, tentando me acertar com a sua faca afiada antes que eu te acerte com a minha, te envenenando com a minha adoração.

17×20

Quem vai matar primeiro a fome?

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from the other side.

Alan Blair ~

Texto por: Alan.

(uns reflexos de “Scarlet´s Walk” e uma semana e meia de cama, doente.)

Martelam um prego na minha cabeça três vezes mais rápido que os ponteiros de um relógio.

Pá – Pá – Pá.

Sozinho nessa caixa, afundando feito sonho em areia movediça. A porta trancada pelo lado de fora e eu aqui dentro, feito um palhaço de mola.
Há uma janela na parede com grades de ferro.
Depois das grades, há uma montanha,
E após a montanha, um rio, e dentro do rio, os supostos sapatos vermelhos de Scarlet, afogados e esquecidos, como eu, mofando nesse quarto com um termômetro enfiado no rabo, apitando 39º.

Sinusite
Faringite
Amidalite
Calma, não se irrite.
Estou suando feito uma cabra.

Deixa eu te contar uma coisa:

Eu to sentindo gosto de nada na boca.
To morrendo de fome, e não têm nada pra comer.
To trancado, cara, dilacerando meu estômago com meu próprio estômago, entende?

Esse vazio, esse silêncio, essas quatro paredes que me prendem aqui nesse quarto vazio, comigo e com minha sede. Eu grito por água e ninguém responde.

To perdido em algum lugar que eu não sei aonde é, e às vezes fica tão escuro que eu não consigo me enxergar.

Aí eu fecho os olhos.

“Mas eu acredito na paz.
Eu acredito na paz, sua vagabunda”