marasmo.

Alan Blair ~
Foto por Ronald Péret – “Dama da Noite”, Alan Villela.
Texto: Alan.

Cheiro de bosta de cachorro pisada entre o garcía marquez, drummond e josé saramago.

Música envangélica berrando “amém senhor amém senhor amém senhor”, sem nem ter certeza se evangélico diz “amém”.

A tosse seca da moça lá desgranhada cabelo nojento de puta velha mal comida me olhando de um jeito desconfiado
como se fosse roubar seus livros podres, enfia o “amém senhor” na xota e para de me olhar assim que eu só tô folheando.

Poeiras e aranhas entre Sabrinas, quadrinhos e revistas pornôs,
polegar direito direto na coxa desnuda daquele lá que eu não sei dizer quem é mas bem que eu gostaria de saber.

A puta velha entretida no louvor do amém senhor, aí eu saco a minha arma e me preparo pra atirar, atrás da estante,
da poeira nojenta, do cheiro da bosta de cachorro pisada, amém senhor, amém senhor, ai man señior!

Porra melada na coxa desnuda daquele lá que eu não sei dizer quem é mas agora pouco me importa,
poeira, porra e traça entre literatura, cultura e sexo.

Adoro o marasmo dos dias nublados.

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Um comentário sobre “marasmo.

  1. Era esse que queria comentar, adorei tão latejante, cortante, carne viva que sangra… Adorei amigo,saudades!

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