Virol

Alan Blair ~
Foto e Texto: Alan

(uma carta para ele)

Eu, Alan Villela Barroso, Brasileiro, 21 anos, solteiro(a), filho de Márcia de Almeida Villela Barroso e Francisco Vargas Barroso que, além de minha própria pessoa, geraram Filipe Villela Barroso, o primogênito heterossexual da família. Sou moreno claro, olhos castanhos, não muito alto, mas não muito pequeno, tipo sanguíneo não me recordo, sapato tamanho 38 ao 41, dependendo da marca, sou extremamente necessitado de cafeína pela manhã, tarde e noite, não assisto televisão pela falta de tempo, pela falta de vontade, gosto de literatura, pintura, música, com um gosto propriamente diversificado, sou vegetariano, mas não do tipo fresco enjoado, adoro pimentão, azeitonas e suco de caju. Já operei minha cabeça quando tinha seis anos de idade, operei três vezes o apêndice devido a sérias complicações. Nasci prematuro e quase não vinguei, mas por benção do senhor jesus cristo, meu amigo, eu sou uma pessoa saudável e não viciada em remédios, apesar de sempre tomar dramin quando eu não consigo dormir, o que me leva a ter um peso na consciência com o medo de me tornar viciado. Nunca experimentei maconha, bebo com moderação, mas nem sempre (fica a dica), eu sou loucamente viciado em doces, qualquer tipo, adoro o macarrão da minha mãe e o café que ela faz. Gosto muito muito muito de animais, quero ter filhos. Gosto de seriados, videogame e tomar banho, sempre viajo de ônibus e sempre faço o sinal da cruz antes de ele começar a andar, mesmo não sendo católico, mas acredito que me proteja de todo o mal, amém. Já tive fã clube da turma da mônica, backstreet boys e chiquititas, já fiz coleção de azulejos, figurinha, gelocos, cartão telefônico, notas antigas e selos. Quando eu era pequeno eu queria ser cantor de ópera, mas desisti da ideia para ser arqueólogo, mas desisti da ideia para ser ator, que ainda não desisti da ideia. Eu me chamava Alan Blair, por causa da Bruxa de Blair, já namorei três vezes, tenho um gosto por homens bastante peculiar, fumo de vez em quando, sou bastante caseiro, tenho fobia social, preguiça das pessoas, atravesso a rua para não ter que cumprimentar os outros, finjo que não enxergo, mas vejo tudo, finjo que estou dormindo, mas estou sempre acordado, ando com fones de ouvido, mas com a música desligada para ouvir conversa alheia, sempre escuto as pessoas batendo na minha porta, mas eu fico quieto e nunca atendo, assim como não atendo telefone sem identificador de chamadas e nem a campainha da minha casa de Leopoldina, tenho um sério problema com sinais de trânsito e ônibus de cidades grandes e ruas de cidades grandes e centro de cidades grandes e cidades grandes, tenho vergonha de ficar sem blusa em público, o que automaticamente me faz não gostar de praias, sempre digo que vou entrar na academia, mas tenho preguiça da preguiça dos primeiros dias da academia, aí eu adio pro ano seguinte e assim sucessivamente, adoro quando acaba a energia da cidade toda e demora horas pra voltar, então eu pego a lanterna do meu pai e saio na rua, adoro também quando chove muito, principalmente quando tem muito raio e trovão. Quando eu era pequeno um raio quase me atingiu, o que parece mentira, mas eu juro que é verdade. Adoro fantasmas e espíritos e aquelas brincadeiras do copo e do compasso, mas nunca consegui um contato com alguém do além, mas já vi diversos vultos e coisas brancas pela casa que morava, uma vez eu amarrei uma cobra de borracha na linha e escondi na calçada, aí uma moça passou e eu puxei, o que a fez pular e gritar e consequentemente berrar pra vizinhança inteira ouvir “seu filho da puta eu tô grávida caralho se meu filho morrer eu vou jogar na porta da sua casa seu peste”, desde então nunca mais fiz esse tipo de brincadeira, exceto uma vez na casa de praia da minha avó que eu comprei uma lagartixa de borracha na feira hippie e coloquei do lado dela e ela gritou e ficou louca e correu atrás de mim com um pedaço de pau enorme, a minha mãe viu e ficou puta com minha avó que estava puta comigo e eu puto com a lagartixa, aí eu fiquei morrendo de vergonha e dormi durante o dia todo e quando eu acordei tudo já tinha voltado ao normal e esse caso me faz lembrar que uma vez um garoto me deu uma bexiga de festa cheia de água, mas esqueceu de me avisar que estourava, minha mãe me levou para buscar meu irmão na aula, enquanto esperávamos no meio de um monte de adultos fiquei balançando a bexiga até que ela estourou no meu colo e eu levei muito susto e fiquei morrendo de vergonha com todo mundo me olhando, mas minha mãe me deu os super óculos escuros dela que me tornava invisível e eu perdi a vergonha. Já apareci na TV cultura, sempre choro em Titanic, sou prendado, viciado em cera para o chão, em farofa pronta da marca Yoki, em canecas, tomo muito água, então eu urino absurdamente muito, o que me deixa bem irritado, pois eu sempre tenho que levantar de madrugada para ir ao banheiro, não gosto de claridade, meus óculos não tem grau, já andei de ultraleve, mas nunca de avião, eu já quis me mudar para o Tibet, no ensino médio eu pintava as minhas unhas de preto e de verde bandeira, já me masturbei dentro de um caixão que alugamos para uma festa do dia das bruxas no meu bairro, e acabei, sem querer, gozando no teto e, inacreditavelmente, uma vizinha velha morreu e foi enterrada no mesmo caixão, já me masturbei também dentro de um elevador e só depois eu vi que havia câmera registrando tudo, recentemente, enquanto eu estava em Leopoldina, quebrei a câmera digital dos meus pais, mas coloquei tudo no mesmo lugar e eles ainda não sabem, gosto de Floribella e sei a coreografia das músicas, minha cachorra mordeu minha bunda uma vez e eu fiquei muito triste, e a mesma cachorra mordeu minha boca e eu levei cinco pontos, aí quando eu cheguei do hospital, a primeira coisa que eu fiz foi abraçá-la e ela me pediu desculpas e hoje em dia temos uma relação ótima, eu não tenho charme pra contar piadas, eu dançava “É o Tchan”, toco piano na minha escrivaninha todo dia, tenho muito déficit de atenção, já roubei uma pipoqueira, tenho saudades da trema, fiz uma promessa que sempre que passasse em frente ao barbeiro que mora na minha rua eu iria cumprimentá-lo, tanto na ida quanto na volta, e eu faço isso até hoje, eu queria ser a Fada Bela, acredito e vejo óvnis com minha mãe, sempre tocava “Marrom Bombom” depois do almoço no rádio e me dava náuseas, pois eu sabia que era o horário de eu ir pra aula, eu tinha mania de pegar qualquer pedaço de mangueira na rua e jogava em cima das pessoas falando que era uma cobra, até o dia em que eu REALMENTE peguei em um cobra ao invés de uma mangueira. Eu sou feliz, eu amo a família que tenho, o lugar onde eu moro, o curso que eu faço e meus amigos que são meus amigos, e esse perfil todo é pra dizer que eu estou a fim de você e que se você não estiver a fim de mim, eu pelo menos tento te conquistar pelo meu carisma.

E então?

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