Maria Bonitinha

 

A graça dela era fingimento.

Sorria o dia todo sem descansar a boca, avental de borboletas amarelas, arco na cabeça e sandalinha moleca.
Pintava, bordava e, ainda por baixo, dava aulas particulares de matemática.

Deitava-se pontualmente às nove e meia, cabecinha no travesseiro depois da oração.
Só que rolava na cama, meio zonza de olcadil.
Desejava matar o marido e matar os filhos e depois se matar.
De prazer, escondidinha no banheiro, sem dar um pio, dando pra qualquer um.

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