Boa Sorte

POSTE

 

Eu quis me livrar de você,
De tudo aquilo que eu quis não querer.

Fugi, parti,
Te deixei, me exilei,
Modifiquei e me recomecei.

Eu quis tentar te esquecer
E consegui.

Agora tenta você.

 

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Passamento

escolhas

Desfazer um laço. Romper. Desatinar o nó.
Separar, devolver, dividir.
Distanciar e perder contato.

Inexistir-se.

A dor de dois corpos que se dividem não tem mensuração.
Uma constante ausência das coisas,
Uma certeza de falta.

Agora, vivia os dias calados,
Passava o café e bebia,
Fumava um cigarro,
Pensava no tempo.

Sentia falta.
Sentia alívio.
Sem
Ti.

(Escrito em 2016).

Cortesia

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Sempre ensinado a ser educado, gostava de cortejar e cumprimentar as pessoas que via, dando “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”, dependendo “ôpa” e,  até mesmo, “bença”.

Todas as vezes ao sair de casa, fosse para ir à padaria na pracinha da Bandeira ou comprar maizena no armazém, fazia apreço em cumprimentar os senhores e as senhoras sentadas nas varandas ou debruçadas nas janelas ao longo da Vinte e Sete de Abril, além dos conhecidos, os semi desconhecidos, as Cidas e os Cidos.

Lá ia, descendo a rua e dando “bom dia, Dona Tota”, “boa tarde, Dona Dina”, “ôpa Cipó”, “tudo bem  Penha? “, “olá seu Zé!”, “oi Dimar”, “Tudo bom, Marlúcio?”.

Na volta para casa, realizava o mesmo curto e rápido trajeto. Geralmente, reencontrava todas as pessoas que havia acabado de cumprimentar. Muito educado, achava errado dar “olá” somente na ida e passar indiferente no trajeto de volta. Assim, sorridente, cumprimentava todo mundo novamente, independente se a pessoa preferia passar despercebida.

É que, “ingênuinamente” doce, lhe carecia malícia para compreender que nem todas as espécies de pessoas se alegram com “bom dia”.

Gato Castrado

janela

Quando retornou para Leopoldina, após quase dez anos em distância, montou definitivamente o novo escritório: um confortável cômodo em sua casa de nascença, que possuía o que todos os outros escritórios que já teve, em tantos outros cômodos de tantas outras casas onde já morou, não possuíam: uma janela com vista para a rua.

Observando concentrado, percebia o movimento dos carros e das pessoas passageiras. Aquela abertura na parede seria, portanto, o refúgio de seus olhares.

Trabalhava todo dia, sentado na cadeira e de frente para o computador, computando muitas coisas importantes, mas sem muita importância. Enquanto computava, admirava a rua passar. Os gatos, curiosos, assistiam ao movimento pela janela, faziam amizades com quem passava e,  no decorrer dos dias, conheceriam mais pessoas do que jamais conheceria. Quando os três se sentavam juntinhos na janela, quem presenciava comentava admirado: “olha lá os gatinhos, que lindos!”.

samuel

Do outro lado, na rua, quem passava e olhava pela janela via apenas seu cabelo, sempre amarrado em coque, muitos não souberam se era homem ou mulher. Diferença não fazia e também não se incomodava. Preferia a satisfação e alegria que sentia toda vez que alguém dava um carinho gratuito para seus gatos. dudu

 

Computando eternamente em devaneio, passou os dias em ânsia, desejando possuir um bom dono que possuísse, também, uma janela com vista para a rua.

Quem lhe dera ser um belo gato castrado e tratado.

juju

 

 

Quarto Crescente

annamiro                                           annamiro                                              annamiro

Este ano Eu faço 30 anos.
Sempre imaginei como seria ter 30 anos.
Ser um Ser com 30 anos.

São 3 décadas.
São 3 vidas,
Até aqui.

Tive 3 de mim,
Crescendo dentro de mim.

Assim,
Gestei por 10 anos
O Meu Eu Primeiro.
Depois por mais 10 anos
O Meu Eu Segundo.
Este ano faz 10 anos de gestação
D’O Meu Eu Terceiro.

A soma das 3 vidas
Desses 3 Seres Evolutivos
Que formam O Eu Que Sou Agora,
O Eu Que Me Tornei,
Ao longo de 3 vidas,
Ao longo de 3 décadas,
É responsável em gerar O Novo Eu.

O Eu Melhor
O Eu Maior
EU.

O parto está marcado para 11 de agosto,
Dia em que inicia Lua Nova,
Anunciando,
Pôr fim.
Vida
Nova.