Gato Castrado

janela

Quando retornou para Leopoldina, após quase dez anos em distância, montou definitivamente o novo escritório: um confortável cômodo em sua casa de nascença, que possuía o que todos os outros escritórios que já teve, em tantos outros cômodos de tantas outras casas onde já morou, não possuíam: uma janela com vista para a rua.

Observando concentrado, percebia o movimento dos carros e das pessoas passageiras. Aquela abertura na parede seria, portanto, o refúgio de seus olhares.

Trabalhava todo dia, sentado na cadeira e de frente para o computador, computando muitas coisas importantes, mas sem muita importância. Enquanto computava, admirava a rua passar. Os gatos, curiosos, assistiam ao movimento pela janela, faziam amizades com quem passava e,  no decorrer dos dias, conheceriam mais pessoas do que jamais conheceria. Quando os três se sentavam juntinhos na janela, quem presenciava comentava admirado: “olha lá os gatinhos, que lindos!”.

samuel

Do outro lado, na rua, quem passava e olhava pela janela via apenas seu cabelo, sempre amarrado em coque, muitos não souberam se era homem ou mulher. Diferença não fazia e também não se incomodava. Preferia a satisfação e alegria que sentia toda vez que alguém dava um carinho gratuito para seus gatos. dudu

 

Computando eternamente em devaneio, passou os dias em ânsia, desejando possuir um bom dono que possuísse, também, uma janela com vista para a rua.

Quem lhe dera ser um belo gato castrado e tratado.

juju

 

 

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