Comunicamos, a quem não interessar prosa, “A Morte do Poeta Vitalício”: o fardo de um bardo; navegante em rio de passagem, avante ao padecimento lírio, em sua vital existência poética. Neste atestado de órbita, o autor narra dor e cor; purifica-se no delíquio da poesia. “Amor ou a Morte? Amar ou à Marte?” (VITALÍCIO, Poeta).
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15/08/2019 / LANÇAMENTO DIGITAL: “A Morte do Poeta Vitalício: Narrativas de um Padecimento Poético”, nas Lojas Kindle, da Amazon. A narrativa poética desdobra-se em experiência sonora na trilha original do livro, disponível em todas as plataformas digitais de música.

Leia a resenha literária, escrita por P. R. Cunha, autor de “Paraquedas – um ensaio filosófico” (Prémio Aldónio Gomes):

OS FANTASMAS SEMPRE VOLTAM

por

p. r. cunha (julho de 2019)

à primeira vista pode não parecer
mas é isto uma resenha de
a morte do poeta vitalício – narrativas
de um padecimento poético livro de
alan villela barroso que talvez
muito provavelmente seja
a melhor coisa que aconteceu à
poesia brasileira desde os irmãos
de campos (HAROLDO & AUGUSTO)

artista
pesquisador
professor
músico
ilustrador
gosta de pedalar a própria
bicicleta algures
mora em leopoldina-mg
interior
mas perto o bastante
do oceano para sentir
ah, mar
e cia.

alan villela barroso é poeta
e não só

a tranquilidade da morada
poética ou algumas breves reflexões
(à guisa de introdução)
henry david thoreau SÉC. XIX
perturbadíssimo com o barulho da
locomotiva a invadir a simplicidade
eloquente do campo
o espécime literário em busca de
um qualquer esconderijo
longe das balbúrdias industriais
e tantas vezes a frustração
certa impossibilidade de se
encontrar sítio adequado às práticas da
como se costuma dizer
alma

mas feliz aquele
(este é w. wordsworth)
feliz
aquele que se encontra
que consegue dialogar com a própria
geografia e tem/cria tempo
para lutar contra os excessos
contra as explicações pormenorizadas
[toda a gente quer tudo explicadinho
interpretado mastigado]

é fácil imaginar alan debruçado
sobre poesias enquanto a chuva
tamborila despreocupadamente
ao telhado
de sua casa

o poeta que no silêncio estival
lê e escreve
e ensina e olha para o céu
sim amiúde
para o universo
que se expande em
múltiplos versos

escutemos a voz do poeta:

meu mudo
meu canto
meu pedaço de só
(pág. 29)

arranhou o dia
era Sol que me faltava
(pág. 39)

alan
que nos faz lembrar
e matar saudades de
galáxias e das experimentações
de haroldo de campos
isto não é um livro de viagem
alan que também faz dançar
música & poesia
que trilha
sonoramente
(recordemos j. cage
anton von webern
alban berg os gênios
ultrabreves)
a arte radical do silêncio
mesmo que consigamos
ainda
escutar sons

alan
que também alonga os intervalos
faz respiros com ilustrações
traços que não aborrecem
não procuram acrescentar o óbvio
mas antes dialogam & recriam
«pouco em quantidade
muito em qualidade»

a morte do poeta vitalício – narrativas
de um padecimento poético é um livro
sobre a importância de se olhar
às estrelas
ao campo
aos acordes
musicais
para dentro de si

uma biografia da prática
cotidiana das anotações
(do notar [fora] do notar-se
[dentro])
o contato com as naturezas
ondas que vão-e-vêm
os ciclos cósmicos
por vezes tão terrenos

é ir-se sem sair do lugar

a singularidade que se faz sentir
quando o leitor afasta-se
momentaneamente do
padecimento poético
agradável inquietação
questionamentos aos sussurros
como se alan cantasse aos ouvidos
«sugiro-te uma caminhada
aqui fora»

& não seria esta a importância
da poesia
principalmente em tempos
conturbados como estes:
lembrar-nos daqueles
& daquilo que amamos
orientar-nos na tempestade
nos mares
ou nas entranhas do próprio coração?

alan villela barroso
bússola vitalícia
disponível aos náufragos
basta abrir
— ler e ouvir

amar

A Morte do Poeta Vitalício, Alan V. Barroso (2019).

Clique na imagem.

CAPA Dimensões ideias

Trilha Sonora do Livro “A Morte do Poeta Vitalício”.

Clique na imagem.

cfUMvypbMINKdOrMP1l6.promo

Escute a trilha sonora: http://abre.ai/trilha-sonora
Facebook: fb.me/poetavitalicio
#poesia #poetry #poetavitalicio #literatura

5 comentários sobre “EMERGENTE – ATESTADO DE ÓRBITA

  1. Quero digital, quero em papel, só queto… Que lindo ver tu e o P.R. encantando vidas com a literatura! Parabéns, meu querido! 💜

  2. Muitos, muitos parabéns pela obra, caríssimo Poeta! Poder participar desse projeto, mesmo que apenas um breve eco às orelhas, foi-me deveras edificante. Espero que as tuas ondas germinem ao longe, querido amigo — inclusive noutras terras lusófonas, do outro lado do imenso Atlântico.

    Mando-te os melhores abraços de sempre,

    P.

    1. Ô amigo… arrepios expressam sentimentos, às vezes, melhor do que as palavras que, agora, procuro te ofertar. Sou muito feliz em meus percursos pois, apesar de raros, não me faltam companheiros. Ecoemos, de um canto ao outro, de orelha à orelha!

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