Sem Pipas Na Língua

pipa

Se essa lua fosse minha,

Eu mandava ela brilhar,

Iluminando os caminhos,

Por onde ainda irei passar.

 

O céu que cobre minha boca,

Às vezes chora, às vezes chuva.

Quem tem culpa,

Se o vento que me levou para longe,

É o mesmo vento que te machuca?

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Ser Rei

 

gaviao

 

Penso,
logo sinto.
Se sinto, logo escrevo.
Escrevo porque penso e,
Ao pensar, reflito e sinto,
Pôr um tanto;
Escrevo. Escrevo,
Não por vício ou ofício,
Nem tão pouco, exercício.
Escrevo contra o tempo,
Me remando com o vento do balanço de palavras escorridas,
Metáforas, morfemas,
Rimas e metonímias,
Monemas com poemas:
Telefonemas.
Sou,
Porque escrito,
Existo.
Assim sei,
Que tarde ou cedo
Eu serei
Lido.

      raiz

Divagar

avore

Ai se minha casa tivesse um jardim!, pensava e já se imaginava, acordando escondido de madrugada, descendo as escadas depressa, abrindo a porta da casa com o maior cuidado para não fazer barulho, para ninguém despertar, apesar de só Zinho morar.

Em fim, nau, mente, já não sabia. Divagar do lado de fora, conversava com todas as plantas em cochichos.

Devagar, pedia licença, rolava na grama e, de tanto vagar, sentia o cheiro da Dama da Noite, fugidio e protegido pelas cortinas verdes dos seios do Seu Jardim.